Crónicas de uma Leitora: Literatura | 'Os Imperfeitos' de Cecelia Ahern | Opinião

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Literatura | 'Os Imperfeitos' de Cecelia Ahern | Opinião

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Uma decisão pode deitar tudo a perder.

A vida de Celestine North é perfeita. Filha e irmã modelo, é muito popular junto dos colegas e professores e namora com Art Crevan, um dos rapazes mais encantadores da escola.

Mas Celestine vê-se confrontada com uma situação à qual reage por instinto, levada pela bondade. Quebradas as regras, terá de lidar com as consequências. Pode ser presa. Pode ser marcada a ferro quente. Podem obrigá-la a juntar-se às fileiras dos Imperfeitos.

Os Imperfeitos é um romance estonteante em que a autora bestseller Cecelia Ahern retrata uma sociedade em que a perfeição é essencial e em que a imperfeição é punida de forma exemplar, abordando temas atuais e complexos como o racismo, o bullying, a justiça, a verdade e a solidariedade.





 Antes de mais tenho de confessar que, tendo decidido dedicar o mês de maio ao género YA contemporâneo, levei um balde de água gelada quando comecei a ler este livro. Algo não estava a bater certo e não conseguia compreender bem o quê até perceber que se trata de uma distopia. Aí sim fez-se luz e fiquei bastante indecisa entre continuar e sair fora do género que tinha escolhido para este mês ou desistir temporariamente e fazer um ligeiro desvio, optei, como se percebe, pelo desvio.

Eu gostei da história, de como uma jovem movida pela lógica faz algo impensável num mundo dividido. O mundo mudou, criou-se uma Guilda para decidir se as pessoas seriam perfeitas ou imperfeitas e as imperfeitas eram marcadas, em diferentes sítios, com um ferro em brasa, consoante a acusação. Parece-me que houve aqui algumas incongruências, os imperfeitos não são criminosos mas são ostracizados pela sociedade e os criminosos não são marcados como imperfeitos, se são criminosos não fizeram algo imperfeito? Só por aí acho que algo não funcionou a 100% na criação deste mundo. 

De qualquer forma achei o conceito muito peculiar, como é que podemos nos aperfeiçoar se não podemos errar? Celestine é um exemplo de como o sistema não funciona adequadamente, é proibido auxiliar um Imperfeito mas um Imperfeito não deveria ser antes alguém digno de ajuda, por segundo o conceito não conseguir tomar decisões perfeitas? E um Imperfeito não continua a ser um ser humano? Como é que se pode ser Perfeito e rejeitar membros da sociedade apenas por tomarem más decisões mesmo que estas possam ser relativas?

Cecelia Ahern construiu uma boa trama, é um livro absolutamente viciante mas com algumas alturas mais enfastiantes, muito por culpa da necessidade de explicação do mundo e da sociedade que nos estava a ser apresentada. O enredo está construído num crescendo que nos deixa em suspense, não existem grandes twists mas a história é deixada num cliffhanger interessante, que não nos deixa completamente loucos pelo próximo livro mas deixa ali um bichinho a morder a nossa mente. Uma distopia imperdível que é uma crítica política e social forte, onde o jogo de poder é mais importante que qualquer outra coisa.


exemplar gentilmente cedido para opinião

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