Crónicas de uma Leitora: Literatura | 'Vox' de Christina Dalcher | Opinião

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Literatura | 'Vox' de Christina Dalcher | Opinião

E se cada mulher só tivesse direito a 100 palavras por dia?

«Uma versão aterrorizadora de Handmaid’s Tale passada no presente e um lembrete importante acerca do poder da linguagem.» - Elle UK

Estados Unidos da América. Um país orgulhoso de ser a pátria da liberdade e que faz disso bandeira. É por isso que tantas mulheres, como a Dra. Jean McClellan, nunca acreditaram que essas liberdades lhes pudessem ser retiradas. Nem as palavras dos políticos nem os avisos dos críticos as preparavam para isso. Pensavam: «Não. Isso aqui não pode acontecer.»

Mas aconteceu. Os americanos foram às urnas e escolheram um demagogo. Um homem que, à frente do governo, decretou que as mulheres não podem dizer mais do que 100 palavras por dia. Até as crianças. Até a filha de Jean, Sonia. Cada palavra a mais é recompensada com um choque elétrico, cortesia de uma pulseira obrigatória.

E isto é apenas o início.

Primeira aposta deste ano para me tirar da letargia que 2018 se transformou, Vox é um daqueles livros que nos suga para dentro do enredo e não nos deixa parar de ler. O tema em si é premente, numa época em que começam a explodir as reacções à castração verbal das mulheres importa termos um livro que coloca em perspectiva toda a política mundial. O feminismo deixou de ser uma moda para ser uma luta real de mulheres que durante anos se calaram perante abusos da sociedade (incluindo das próprias mulheres). 

As mulheres são histéricas, as mulheres são mais fracas, as mulheres devem depender dos homens. É por pouco por essa linha. Os temas retratados em são actuais e urge colocá-los em destaque, a par com a misoginia e clara violência física (choques eléctricos) contra as mulheres veremos a homofobia (com claras referências a conversão) ganhar proporções alarmantes.

Vox é um livro surpreendente, posso dizer que adorei as personagens, apesar de por vezes sentir que faltava alguma substância em algumas cenas; Jean é uma daquelas mulheres que perante as adversidades não baixa os braços e luta o mais que consegue. Em algumas ocasiões há demasiada rapidez nas acções e vai-se conseguindo ultrapassar os obstáculos muito facilmente mas não acho que isso tire interesse à leitura. 

Vox é uma mistura de distopia com thriller que nos prende a cada capítulo, a leitura chega a ser sedenta. 

Consegui sair do fundo do poço para ler em dois dias um livro fenomenal, que me agarrou (e revoltou por muitas cenas ali retratadas) desde a primeira página.

Vox sai para as livrarias a 4 de Fevereiro.




Exemplar gentilmente ofertado em troca de uma opinião honesta

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