Crónicas de uma Leitora: Literatura | 'A Última Ceia' de Nuno Nepomuceno | Opinião

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Literatura | 'A Última Ceia' de Nuno Nepomuceno | Opinião

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O GOLPE PERFEITO. DOIS AMANTES. UMA OBRA DE ARTE.

Uma nota enigmática é encontrada junto à moldura vazia de um quadro famoso. O ladrão deixou um recado. Promete repetir a façanha um ano depois.
De visita à igreja de Santa Maria delle Grazie em Milão, uma jovem mulher apaixona-se por um carismático milionário. Mas, quando alguns meses depois, é abordada por um antigo professor, Sofia é colocada inesperadamente perante um dilema. Deverá denunciar o homem com quem vai casar-se, ou permitir tornar-se cúmplice deste ladrão de arte irresistível?
Enquanto a intimidade entre o casal aumenta, um jogo de morte, do gato e do rato, começa. E aquilo que ao início aparentava ser um conto de fadas, transforma-se rapidamente num pesadelo, ao mesmo tempo que um plano ousado e meticuloso é urdido para roubar a obra-prima de Leonardo da Vinci.
Requintado, intimista, inspirado em acontecimentos verídicos, A Última Ceia transporta-nos até ao enigmático mundo da arte. Passado entre Londres e Milão, habitado por uma coleção extraordinária de personagens, para as quais a ambição e fama se sobrepõem a qualquer outro valor, este é um thriller sofisticado de leitura compulsiva.
Tenho de começar por dizer que este livro é brutal.  É o segundo livro que leio do autor (tendo sido A Célula Adormecida o primeiro) e mais uma vez deixei-me hipnotizar pela forma absolutamente fenomenal que Nuno Nepomuceno nos consegue manter agarrados às páginas.

A Última Ceia tem uma teia delicada e intrincada de acontecimentos que nos vai envolvendo. Deixando-nos conhecer gradualmente as personagens pela forma como os capítulos vão alternando de um núcleo para outro acabamos por nos intrigar e tentar perceber até onde cada um deles está disposto a ir para atingir os seus objectivos.

Vamos rever Afonso Catalão e conhecer mais um pouco da sua vida pessoal, coisa que temos acompanhado ao longo destes últimos três livros e percebendo as motivações, interesses e paixões do professor.

Conhecemos Sofia Conti, uma ex aluna que trabalha actualmente na embaixada portuguesa em Itália e seguimos a sua vida ao longo de pouco mais de um ano, desde o roubo das primeiras cópias d'A Última Ceia até depois da data estabelecida pelos assaltantes para o roubo da terceira, a ficar em exposição na Academia Real das Artes de Londres nessa altura. É bastante interessante acompanhar o percurso e o amadurecimento da jovem ao longo deste período.

Também iremos seguir o percurso do presidente da Academia Real das Artes de Londres e da sua esposa, curadora da Christie's, e ver de que forma as suas vidas tanto pessoal como profissional é largamente afectada pela possibilidade de assalto à Academia e pelos roubos das outras cópias.

São todos estes caminhos que se irão entrelaçar formando uma trama cuidada e fazendo-nos questionar e antecipar os acontecimentos e perceber de que forma a vida de todos os intervenientes acabam por convergir e andar à volta de uma obra de arte.

O autor é exímio no que faz, percebemos que nada está ali por acaso, que toda a informação foi cuidadosamente pesquisada e inserida de forma exemplar no contexto, conseguindo levar-nos a viajar entre os três países que são palco da ação. Numa linguagem cuidada mas fluída e com capítulos curtos é um livro que deixa ao leitor a opção de o ler de uma assentada ou se preferir o degustar lentamente, deixando a informação ser absorvida.

Nuno Nepomuceno é um claro exemplo da excelência da literatura portuguesa, equiparando-se aos melhores best-sellers a nível mundial.





Brevemente entrevista do autor ao blogue, não percam

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